Talvez eu devesse ser diferente… mas é só um talvez.

Eu amo intensamente. Me entrego totalmente àqueles que gostam da minha companhia. Já ouvi dizer que sou carente e me apego rápido demais às pessoas. Talvez seja isso mesmo.

O fato é que eu me preocupo com quem tira cinco minutos do seu dia pra perguntar como eu estou, ou para chamar pra dar uma volta em algum lugar por aí.

Ninguém precisa pagar minhas bebidas, ou me tratar como deusa. Tô bem com minha vida financeira (mesmo não sendo das melhores) e tenho espelho em casa. Não me acho mais importante que ninguém.

Se eu me apego rápido? Não tenho certeza, até porque eu aprendi a me curar com a mesma facilidade (talvez não com a mesma rapidez) com que sou ferida.

Mas eu certamente trato as pessoas com o mesmo carinho e importância que eu gostaria que elas me tratassem. Eu não sabia o nome disso, e aí, numa conversa descontraída com umas garotas incríveis eu aprendi que é empatia. E descobri que não é só em mim que uma mensagem visualizada e não respondida dói. Imagina aquela ligação não atendida ou aquela surpresa que vc decide fazer pra pessoa e ela mal te diz um “Oi.” e vira as costas.

Com tudo o que já tive de decepções ao longo dos meus 26 anos, eu deveria estar naquela de tratar as pessoas com frieza e fazer com todas elas sofressem. Aquela de não confie em ninguém e não se entregue. Mas essa não sou eu. E nada me dói mais que destratar alguém, mesmo que esse alguém mereça o pior dos castigos.

Eu gosto de sorrisos sinceros, de conversas descontraídas e, mais que isso adoro quando alguém se lembra de perguntar como eu estou e se importa em ao menos tentar me confortar em tempos difíceis.

É, eu era uma criança luz. Cheia de bom humor e uma certa ingenuidade quanto às coisas que as pessoas são capazes. Eu quase perdi isso. E por um momento olhei no espelho e não me reconheci.

A solução que encontrei foi voltar atrás. Desenterrar o meu coração e esperar o melhor das pessoas. Eu voltei à amar cada um do jeito que é. Lógico que não esqueci o que algumas delas me fizeram e nem voltei a rastejar por aquelas que nunca me deram a mínima atenção. Isso não é amor, isso é dependência e não há como um bom relacionamento resultar disso.

Quanto às garotas incríveis que falei, elas são diferentes. Lindas e formam um grupo que parece não fazer muito sentido. Tropeçamos umas nas outras por aí, e como eu decidimos nos dar uma chance.

Não somos as melhores amigas, acho que não compartilhamos grandes segredos. Mas nos divertimos com coisas muito simples e, mesmo à distância temos nos preocupado quando alguém não está bem.

Não sei onde estaremos daqui a um mês, muito menos se seremos amigas daqui a cinco anos. Nem sei se posso dizer que somos amigas hoje, mas sei que o que temos é muito mais sincero do que muita coisa que tive até aqui. Talvez seja essa minha mania besta de ter fé nas pessoas, mas fazer o que? Algumas pessoas são assim e não mudam apesar do que os “sábios da vida” dizem.

heart